segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A infiel


Jorge passou a lâmina afiada do facão no rosto da moça pela 2ª vez, bem de leve, para que ela sentisse só a ardência causada pelo contato do suor com a ferida aberta. A moça chorava baixinho, os olhos abertos, a mando de Jorge que queria que ela o encarasse enquanto era torturada. Estava sentada nua, amarrada pelo pavor à cadeira.
Ele não fazia isso por nada. Ela era uma errada. Tinha namorado um parceiro e, depois que ele caiu (foi preso e condenado) ela ousou namorar outro rapaz. O cara nem tinha culpa na história, era um playboyzinho que ao ver uma garota bonita na praia se aproximara e se dera bem, ou mal, dependendo do ponto de vista. Se livrar dele foi fácil. Como não sabia do histórico da menina, apenas tomou uma azeitona na testa e foi cremado no micro-ondas.  Ela não, ela sabia muito bem o que estava fazendo, portanto seu sofrimento era legítimo e esperado.
Jorge e seus parceiros já a estavam estuprando e torturando desde a véspera, só aguardando a ordem do parceiro de dar cabo à empreitada. O “bródi” queria que ela servisse de exemplo para as outras, então não poderia ser uma coisa rápida.
De repente, Jorge ouve:
- UEPA!!! Ele já sabia até quem estava chegando, só não contava que sua irmã estivesse entre as mulheres da igreja que acompanhavam o pastor. Correu para o interior da casa, na esperança de que ela não o tivesse visto.
A garota correu ao encontro do pastor, pedindo pelo amor de Deus que ele a salvasse. O pastor entregou-lhe o paletó, para que se cobrisse, colocou-a aos cuidados das fiéis e se dirigiu à casa onde Jorge havia entrado.
Jorge já estava no celular, ligando para o parceiro preso:
- Qual é a urgência? Quando estava cumprindo a obrigação, chegou o pastor Celso e nós teve que se esconder.
O pastor, se se intimidar toma o aparelho das mãos de Celso e grita para o presidiário:
- EM NOME DE JESUS, EU REPREENDO TODO O ESPÍRITO DE MORTE E DE VINGANÇA!
Em seguida, passa o celular para Jorge que só repete:
- Tá bem, Tá bem...
Jorge diz ao pastor que a menina poderá ir, mas ele precisa dar um recado a ela primeiro. O pastor consente, só que se cria um impasse: o pastor não quer deixar a menina entrar ali e Jorge não quer ir lá fora. O solução foi Jorge transmitir o recado ao pastor e pedir que ele o repassasse da porta, em alto e bom som. Este não se faz de rogado:
- OLHA AQUI, LUANA, VOCÊ VAI SAIR DAQUI, MAS QUALQUER PARCEIRO DO BIRA QUE A ENCONTRAR POR AÍ, ONDE QUER QUE SEJA, TEM AUTORIZAÇÃO PARA TE TRAZER DE VOLTA E ACABAR O SERVIÇO.
 Jorge se dá por satisfeito. O pastor pergunta se ele quer uma oração. Ele diz que naquele momento não, mas que a congregação continue se lembrando dele em suas preces.

O povo se retira. Na frente, as mulheres aparando Luana que está com o rosto, as costas e as pernas em carne viva. Atrás, os homens fazendo uma barreira e, por último, o pastor. Todos saem sem olhar para trás.

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