Jorge estava a postos num carro preto aguardando o seu momento. De repente, não se sabe de onde, surgiram duas mulheres correndo, uma bem moça de uns 15 ou 16 anos, a outra parecia ser sua mãe, deveria ter uns 45 anos.
A Kombi estava parando e as mulheres corriam em sua direção, certamente confundindo-a com uma condução. Chegando perto deram conta do engano quando o motorista, um senhor de quase 70 anos com camisa amarela da seleção brasileira, desceu e se encaminhou com um pacote na mão para um carro estacionado na frente, porém as mulheres quase não tiveram tempo de raciocinar porque Jorge, de onde estava já havia acertado um tiro no velho e outro no receptor da droga. Agora seu próximo passo seria apagar as mulheres. Mas, onde estavam elas?
Jorge desceu rapidamente do carro a ponto de perceber que a mais nova embarcara num ônibus que saía do ponto, sem esperar pela mais velha, para a qual olhava desesperada, contendo um grito com a mão.
A “mãe”, sem conseguir alcançar o veículo, atravessou a rua, Jorge estava em seu encalço, era um alvo fácil demais. Estava de vermelho e corria em direção a uma praça, espaço aberto.
Jorge se sentia o exterminador do futuro, caminhava devagar, com sua arma possante, que atingia um alvo a 1 quilômetro de distância. Ao chegar à praça, notou que a mulher desaparecera, mas não havia para onde escapar, ela só poderia estar na igreja.
Jorge entrou na igreja e viu a mulher retornando de um corredor interno, em sua direção, gentilmente conduzida por uma auxiliar do pastor que lhe dizia para esperar sua vez, já que havia uma fila para falar com o reverendo. A mulher ergueu a cabeça e o viu. Jorge ouvia o coração dela bater, descompassado e forte.
Era o momento. Mas, ela era uma só testemunha, se ele começasse a atirar, teria que matar todas as pessoas ali presentes, o que incluía umas 5 crianças e ele não gostava de matar criança. Se não matasse todas, teria umas 30 testemunhas. Fez um balanço e olhou para a mulher que estava de olhos fechados como uma ovelha aguardando o golpe final.
Era melhor esperá-la lá fora. Ou não. Já ouvia a sirene da polícia e a melhor coisa a fazer seria ir embora e contar com o medo da mulher para não denunciá-lo. O que acabou acontecendo: não apareceu uma testemunha da morte dos dois homens.
Na verdade, Jorge nem conhecia os caras, mas teve que acabar com eles porque recebera ordens “de cima”, com todas as coordenadas de onde e em que situação os encontraria.
Bem, fizera a sua parte e, graças a Deus, morava numa cidade tão violenta que raramente alguém aparecia para fazer qualquer acusação ou para testemunhar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário