sexta-feira, 30 de julho de 2010

A festa

Jorge chegou ao belo e imponente portão da mansão.

-Seu convite - pediu o segurança sem sair da guarita.

Jorge mostrou-lhe sua submetralhadora.

-Aqui está ele. Vai querer?

O rapaz imediatamente abriu-lhe o portão. Ao atravessá-lo, Jorge matou-o com três tiros deixando seu corpo inerte, com o olhar embaçado e ainda perplexo, pendendo na janela da guarita.

Subiu o quanto pôde de carro. A casa surgiu em sua frente: em forma de L com uma grande piscina em seu ângulo aberto. Pessoas riam e dançavam ao som de várias vozes e música alta, o que as impossibilitou de ouvir os tiros dados no portão.

Jorge desceu do carro e caminhou o resto do trajeto a pé. Chegando ao local da festa, um homem de uns 50 anos veio recebê-lo com um meio sorriso intrigado e a testa franzida, como a perguntar-lhe quem era e de quem era convidado. Como resposta a sua pergunta velada, recebeu uma saraivada de tiros no rosto e já estava morto antes de cair no chão.

As demais pessoas tentavam fugir, mas Jorge as alvejava com precisão, sentindo o prazer que lhe acometia sempre que a adrenalina subia. Algumas pessoas vinham de dentro da casa direto para a linha de fogo, procurando saber do que se tratava.

Quando o silêncio se fez, Jorge foi procurar por sobreviventes. Já ia se afastando quando ouviu um soluço abafado atrás de um dos arbustos. Ao verificar, viu uma garota agachada com as mãos na boca, tentando sufocar seus gemidos.

- Levante-se! Ordenou-lhe o rapaz.

A moça não se mexeu e ele apontou a arma em direção à sua nuca. Os cabelos negros da moça eram lindos e brilhosos, cachos lhe desciam sobre as costas nuas, pois ela usava apenas um minúsculo biquíni, Jorge então decidiu fazer uma festinha particular com ela antes de eliminá-la. Puxou-a pelo braço com força e ao encarar o seu rosto, foi tomado por uma grande náusea: a garota era muito parecida com sua princesa Júlia, talvez tivessem até a mesma idade e ele não queria estuprar nem matar a própria filha.

Empurrou a menina para longe com força e começou a descer pelo caminho em direção ao carro. Enquanto andava ouvia o choro alto e histérico da garota. Quase voltou para matá-la. Entrou em seu carro, passou pelo portão ainda aberto e partiu.

As câmeras da residência registraram apenas um homem de altura mediana, vestindo calças jeans, camiseta branca e uma jaqueta de couro marrom, usando um boné preto e uma touca de meia no rosto, que só foi visto pelo segurança e pelo dono da casa, ambos devidamente liquidados.

O segurança morrera de graça, já o dono da mansão era um “investidor” que contrariara alguém. Esse tipo de investidor ficava na segurança de sua casa, participava de caminhadas contra a violência, fazia discursos antidrogas, mas colocava seu dinheiro a serviço do tráfico, fingindo não saber o que financiava. Seus lucros iam direto para uma conta numerada num paraíso fiscal e, depois, o dinheiro virava patrocínio recebido do exterior para uma instituição de pesquisa e fomento dirigida pelo investidor, no Brasil.

Enquanto isso, ele, Jorge, para ter uns caraminguás a mais e pagar dívidas a advogados, propinas a policiais corruptos e favores a seus benfeitores, tinha que se arriscar daquela maneira. É verdade, a vida não é justa.

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